Opinião
09/08/2014
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Em nome de Deus?

 Os noticiários no Brasil e no mundo nas duas últimas semanas veicularam imagens de horror, sofrimento e indignação. Conflitos armados na região da palestina no Oriente Médio reiniciaram a guerra que se estende na região desde a criação do Estado de Israel pela ONU em 1948. A perplexidade surge porque num primeiro momento as imagens de crianças e idosos mortos e mães gritando de desespero diante de cadáveres de seus filhos mortos, deixam nós brasileiros e o restante de mundo sem entender o que realmente acontece naquela região.
É compreensível que diante de fenômeno tão complexo, que envolve inúmeras causas, a imprensa mundial e nacional acabe não esclarecendo o que realmente acontece na Palestina. Num primeiro momento os conflitos parecem resultar de desentendimentos entre povos fanáticos que não se entendem devido as suas diferenças religiosas. Porém, o fator religioso é secundário, pois o impasse entre Israel e Palestina é mais profundo e complexo.
Quando terminou a Segunda Guerra Mundial em 1945, uma das questões discutidas pela ONU na época foi encontrar uma solução para o povo judeu que não possuía um território e um Estado próprio para viver. Desde o século 19 (o problema recua bem mais no tempo) o anti-semitismo (sentimento de aversão contra os judeus), promoveu um clima de violência e perseguição contra eles, desembocando no assassinato cometido pelos nazistas alemães de 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra.
Terminado o conflito, a questão da construção de um Estado para os judeus veio à tona na ONU. Nesse período a comunidade judaica nos Estados Unidos muito bem estruturada economicamente e com o apoio do Estado norte-americano, influenciou diretamente na construção do Estado de Israel na região do Oriente Médio, região esta habitada majoritariamente por árabes muçulmanos. É importante lembrar que essa região é considerada sagrada tanto para os judeus quanto para os palestinos árabes, ambos acreditam que são herdeiros legítimos da região.
O interesse do Estado norte-americano na construção do Estado de Israel foi geopolítico (geográfico e político). O Estado de Israel do ponto de vista geográfico representa para os Estados Unidos uma porta de entrada na região do Oriente Médio. Devemos lembrar que esta região é rica em petróleo, o que vem determinando a interferência européia e norte-americana na região desde o início do século 20.
É importante frisar que quando foi criado o Estado de Israel, os palestinos árabes também tiveram sua parcela de território, porém, não tiveram seu Estado reconhecido pela comunidade internacional e continuaram habitando a região sem ter o seu Estado próprio e isso ocorreu devido ao fato de os palestinos árabes não terem reconhecido o Estado de Israel. Como vemos a questão é complexa, no entanto é triste vermos que as guerras persistem diante de uma ONU que não consegue tomar nenhuma medida eficiente para acabar com a barbárie.

Juliano Rossi
Professor de História



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