Saúde
25/06/2015
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Inca se posiciona contra agrotóxicos

Instituto é contrário às atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil e reafirma seus riscos à saúde, em especial em relação à incidência de câncer.


O Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), órgão do governo ligado ao Ministério da Saúde que atua na prevenção e controle do câncer se pronunciou oficialmente pela primeira vez contra o uso de agrotóxicos, com o lançamento do documento técnico Posicionamento Público do Inca a respeito do uso de agrotóxicos. O texto recomenda a “redução progressiva e sustentada” do emprego de agrotóxicos nas plantações, ressaltando seus riscos para a saúde.

 

Com intuito de fomentar ações na prevenção e controle do câncer, fortalecer iniciativas de regulação e controle de agrotóxicos e incentivar alternativas agroecológicas, como solução ao modelo agrícola dominante, o documento declara que o Instituto é contrário às atuais práticas de uso de agrotóxicos no Brasil e reafirma seus riscos à saúde, em especial em relação à incidência de câncer.


Desde 2009, o Brasil é campeão mundial de consumo de agrotóxicos, ultrapassando a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio de 5,2 kg de veneno agrícola por habitante por ano. Segundo o Inca, a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil foi uma das responsáveis por colocar o país no primeiro lugar do ranking de consumo de agrotóxicos, uma vez que o cultivo dessas sementes geneticamente modificadas exige o uso de grandes quantidades de veneno.


O documento lista os efeitos adversos decorrentes da exposição crônica aos agrotóxicos, que podem aparecer muito tempo após a exposição, dificultando a correlação com o agente. Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos estão infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.


O texto alerta que a presença de resíduos de agrotóxicos não ocorre apenas em alimentos in natura, mas também em muitos produtos alimentícios processados pela indústria. Ainda podem estar presentes nas carnes e leites de animais que se alimentam de ração com traços de agrotóxicos, devido ao processo de bioacumulação. “A preocupação com os agrotóxicos não pode significar a redução do consumo de frutas, legumes e verduras, que são alimentos fundamentais em uma alimentação saudável e de grande importância na prevenção do câncer. O foco essencial está no combate ao uso dos agrotóxicos, que contamina todas as fontes de recursos vitais, incluindo alimentos, solos, águas, leite materno e ar”.


O objetivo do Inca é fortalecer iniciativas de regulação e controle dessas substâncias que promovam a redução progressiva e sustentada do seu uso e a substituição do modelo agrícola dominante pela produção de base agroecológica. “O Inca se posiciona claramente não por achismos ou por questões ideológicas. O Instituto segue evidências científicas, fruto do trabalho de sua equipe e de cientistas do mundo inteiro que tiveram seus trabalhos reavaliados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês), ligada à Organização Mundial da Saúde”, afirmou ao jornal O Estado de São Paulo (8/4) Luiz Felipe Ribeiro Pinto, coordenador de Ensino do Inca e único representante na América Latina da IARC.


O Inca finaliza o documento citando que o Brasil precisa mudar sua política de incentivo à produção de agrotóxicos, como a isenção de impostos ao setor — o que, segundo o relatório, é algo que vai na contramão das medidas protetoras recomendadas —, e a liberação de tipos de substâncias que são proibidas em outros países. Além disso, pede que marcos políticos para o enfrentamento do uso de agrotóxicos sejam cumpridos para que ocorra “redução progressiva e sustentada” desses produtos no país.

 

Fonte: Folha Independente
 

 



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