Saúde
16/03/2015
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Agendamento de cirurgias eletivas deve ser normalizado em 30 dias, diz prefeito

Há seis meses, a Secretaria de Saúde não está agendando cirurgias eletivas, aquelas cirurgias que podem ser marcadas com antecedência no serviço de saúde público. A defasagem nas tabelas do Sistema Único de Saúde (SUS) para o pagamento de procedimentos cirúrgicos de média complexidade não motiva os médicos a realiza-los e força a gestão municipal a assumir as ações do serviço. No início do ano passado, a prefeitura contratou por licitação quatro médicos para realização de um total de 12 procedimentos cirúrgicos por mês, diferente deste ano, onde até agora os profissionais não foram chamados, nem contratados. Desde novembro, a população que necessita de cirurgias está sendo informada que não há previsão de agendamento.

Segundo o secretário de saúde, Nelson de Paula, não é obrigação do município contratar os médicos, pois existe o SUS e repasses do Estado. No fim, tudo envolve dinheiro: dificuldade do município conseguir bancar o serviço e dificuldade dos médicos em realizar procedimentos pelo SUS. “Criamos esse programa no ano passado porque existia uma fila muito grande de cirurgias. O município entendeu que se fazia necessário naquele momento, até porque a população nos cobrava. Nós não temos obrigação de contratar os médicos, não é o município que tem que bancar as cirurgias eletivas, existe o SUS e o sistema de mutirão de cirurgias pelo estado. Por outro lado, eles (os médicos) entendem que não tem obrigação de fazer, pois não concordam com os valores repassados pelo SUS, há 20 anos a tabela não é reajustada”, destaca.

Segundo o secretário de saúde, a população não deixou de ser atendida, pois em casos de emergência cirúrgica, os pacientes podem utilizar o serviço de plantão cirúrgico no Hospital Dr. José Athanázio, além dos encaminhamentos de alguns casos, dependendo da recomendação médica,para Tratamento Fora de Domicilio (TFD). “Quem decreta urgência ou não é o médico. Dependendo os casos e a complexidade, os pacientes estão sendo encaminhados via TFD e em casos de urgência, existe o plantão cirúrgico para procedimentos de média complexidade, que são os procedimentos que a Fundação é cadastrada”, frisou.

Os prejuízos no atendimento a população quanto a dificuldade de agendamento das cirurgias eletivas foi denunciado na Câmara de Vereadores pelo vereador Irineu Armando Osório, o Piratuba Júnior. Nesta semana, o prefeito Nelson Cruz anunciou que a administração vai contratar um médico, especialista em cirurgia geral, para a realização de 32 procedimentos pelo sistema eletivo por mês. A contratação ainda depende de aprovação do Conselho Municipal de Saúde, reunião que estava agendada hoje (13).

“Vamos contratar um especialista em cirurgia, ainda estamos acertando alguns detalhes e depende de aprovação do Conselho Municipal de Saúde. Em 30 dias pretendemos regularizar o agendamento das cirurgias eletivas realizadas pelo município de média e pequena complexidade. Vamos melhorar ainda mais o atendimento, porque ao invés de 12 cirurgias por mês, serão 12 procedimentos de pequeno porte e 20 de média complexidade por mês, tudo bancado pelo sistema de saúde municipal”, destaca o prefeito. Segundo ele, até esta semana, havia 35 pessoas na fila de espera para agendamentos de procedimentos cirúrgicos.

Plantão cirúrgico ameaçou suspender atendimentos

Em 2009, a prefeitura criou uma divisão de plantões em regime de sobreaviso remunerado, em especialidades cirúrgicas, obstétricas e pediátricas. Isso representou um avanço no atendimento das emergências, já que retirou a demanda por esses atendimentos até então realizados unicamente pelo plantão clínico.Na semana passada, os quatro médicos responsáveis pelo plantão de sobreaviso cirúrgico chegaram a encaminhar um ofício a administração do Hospital cancelando o atendimento, pois não concordavam com o reajuste proposto pelo município, algo em torno de 6%. Os médicos reivindicavam o que recomenda o Conselho Federal de Medicina (CFM), 30% do valor do plantão clínico de emergência. Na teoria, de acordo com o valor repassado pela Fundação Hospitalar, os médicos do sobreaviso deveriam receber R$ 600 por dia, mas segundo eles, recebem R$ 300 por dia, 50% menos do que recomenda o CFM. Em reunião na segunda-feira (09), os médicos resolveram voltar atrás, já que houve um acordo após conversa com o prefeito. Nem o prefeito, nem os médicos quiseram divulgar o valor do reajuste acertado, que deve ter ficado próximo a reinvindicação dos cirurgiões. Segundo Nelson Cruz, os outros plantões de sobreaviso também tiveram reajuste, cada um de acordo com a preconização das especialidades de cada área. De acordo com o prefeito, na reunião ficou acordado que no próximo ano, o reajuste dos médicos deve ser o mesmo dos servidores públicos. As escalas dos plantões cirúrgicos também devem ser reformuladas. Antes os profissionais tinham escalas de segunda a sábado, 24 horas por dia.

Conscientização

A direção administrativa do Hospital Dr. José Athanázio está preocupada com aumento na demanda de pacientes no setor de urgência e emergência para atendimentos eletivos, o que está prejudicando o atendimento aos casos de maior gravidade. De acordo com a direção do hospital, a enorme carga de trabalho nos serviços de emergência, traduzida pela superlotação do pronto socorro, vem sendo considerada delicada há alguns anos, pois muitos pacientes procuram pelo hospital, quando na verdade deveriam primeiro passar pelas unidades de saúde dos municípios. Diante desta situação, o Hospital criou um panfleto para conscientizar a população sobre a diferença de emergências e urgências, daqueles casos que não se enquadram e que poderiam ser atendidos tranquilamente nos postos de saúde. “Nosso problema maior é quanto a alta demanda do plantão de emergência, onde são realizados em média 3500 atendimentos por mês, um número muito grande. Por isso estamos iniciando um trabalho de conscientização e orientação sobre o que é prioridade e o que é emergência e urgência. A população precisa conhecer”, destaca a diretora administrativa Marliese Mecabô. O Hospital está estudando a melhor forma de implantar o protocolo de classificação de risco, diante da necessidade de aprimoramento na classificação dos pacientes em espera por atendimento em contraponto a alta demanda no plantão. O atendimento de urgência é aquele prestado com fim de preservar a vida, bem como prevenir a ocorrência de lesão irreparável ao paciente. O atendimento de emergência é aquele que deve ser prestado de imediato, por colocar em risco a vida do paciente.



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